Processadores
O processador (CPU) é onde a informação é processada dentro do computador. É um chip na motherboard, normalmente escondido debaixo de um sistema de arrefecimento.
O mercado dividiu-se: nos PC continuam a dominar a Intel e a AMD; nos smartphones, tablets e nos Macs da Apple usam-se processadores ARM — a família M da Apple mostrou que ARM também dá desktops muito rápidos e eficientes.

Velocidade
A velocidade de relógio (GHz) já não conta a história toda — importa quanto trabalho o processador faz por ciclo (IPC) e quantos núcleos tem. Um processador moderno a 3 GHz é muito mais rápido que um de há dez anos à mesma velocidade.
Para navegação, email, escritório e streaming, qualquer processador actual de gama média chega e sobra. Onde a diferença se nota: edição de vídeo, jogos recentes, compilação de software, máquinas virtuais e análise de dados pesada.
Núcleos
Hoje até os processadores modestos têm 4 a 8 núcleos. As gamas actuais misturam núcleos de desempenho (P-cores) com núcleos de eficiência (E-cores) que gastam pouca energia nas tarefas leves — foi assim que os portáteis ganharam tanta autonomia. Ter muitos núcleos ajuda sobretudo em tarefas paralelas: renderização, máquinas virtuais, servidores.
Memória cache
O CPU é muito mais rápido que a memória RAM, por isso traz consigo caches L1, L2 e L3 que guardam os dados mais usados. Diferenças de cache explicam parte das diferenças de desempenho entre modelos — por exemplo, os AMD "X3D" com cache extra são particularmente bons em jogos.
Placa gráfica integrada
Quase todos os processadores actuais trazem GPU integrada suficiente para uso normal e até para jogos ligeiros. A placa gráfica dedicada só é necessária para jogos exigentes, edição de vídeo, 3D ou trabalhos de inteligência artificial.
Famílias actuais
- AMD Ryzen (3, 5, 7, 9) — referência em desempenho por euro nos PC.
- Intel Core (i3–i9 e a gama "Core Ultra") — a outra metade do mercado de PC.
- Apple M (M1 a M5, com o M6 a caminho) — ARM, excelente desempenho por watt, exclusivo dos Mac.
- ARM mobile (Snapdragon e afins) — smartphones, tablets e também portáteis Windows ARM.







Computadores para inteligência artificial
Correr modelos de IA localmente — geradores de imagem, modelos de linguagem (LLMs), transcrição de áudio — trouxe requisitos novos. O factor decisivo deixou de ser o CPU: é a quantidade de memória disponível para a placa gráfica, porque o modelo tem de caber todo em memória.
- VRAM dedicada — nas placas gráficas de desktop, a VRAM (GDDR6/GDDR7) guarda o modelo enquanto ele corre. 8 GB chegam para tarefas leves; LLMs maiores e geração de imagem pedem 12–24 GB. Se o modelo não couber, cai para a RAM normal e fica dezenas de vezes mais lento.
- Memória unificada — nos Apple M e nos portáteis ARM, o CPU e a GPU partilham a mesma memória: uma máquina com 64 GB pode atribuir dezenas de GB à GPU, o que num PC exigiria uma placa gráfica caríssima. Foi por isso que Macs e mini-PCs ARM se tornaram populares para correr LLMs localmente.
- NPU — os processadores recentes trazem uma unidade neuronal (Neural Engine, NPU) para tarefas de IA leves com consumo mínimo — é o que os fabricantes anunciam como "AI PC".
Regra prática: para IA local, a memória vem primeiro (VRAM ou memória unificada), depois a GPU, e só por fim o CPU.
Placas gráficas para IA
- NVIDIA GeForce RTX — a escolha dominante: o ecossistema CUDA é suportado por praticamente todas as ferramentas de IA. A RTX 4090 (24 GB) foi durante anos a referência para uso local; a série RTX 50 seguiu-lhe os passos. Modelos mais antigos (RTX 3090, 24 GB) são muito procurados no mercado de usadas precisamente pela VRAM.
- NVIDIA profissional / datacenter — RTX 6000 Ada, L40S, A100 e H100: entre 48 e 80 GB de VRAM, preços de milhares de euros. É o hardware que está nos servidores onde se treinam os grandes modelos.
- AMD Radeon — a RX 7900 XTX oferece 24 GB por menos dinheiro, mas a plataforma ROCm tem suporte irregular em Windows e em muitas ferramentas; em Linux funciona melhor.
- Intel Arc — a opção económica (p.ex. Arc B580, 12 GB), com software ainda a madurar.
- Apple M — não há placa separada, mas a memória unificada (até 128 GB nos Mac Studio) comporta modelos grandes que não caberiam em placas de consumo — mais lento que uma RTX em velocidade pura, mas único na capacidade.
Quando o hardware local não chega, aluga-se: serviços de cloud (RunPod, vast.ai, Lambda) cobram por hora de GPU, e para muitos projetos sai mais barato que comprar a placa.
Arrefecimento
Um processador a fundo dissipa dezenas de watts — nos desktops há torres de ventoinha e até refrigeração líquida; nos portáteis, o arrefecimento limita o desempenho e um processador "igual" pode render menos numa caixa fina. Processadores eficientes (baixo TDP) fazem portáteis mais silenciosos e frescos.

O que escolher
Para a maioria das pessoas, um CPU de gama média recente com 16 GB de RAM e SSD dá uma máquina rápida durante muitos anos. Dinheiro extra é melhor gasto em memória e SSD do que num processador de topo.