Introdução aos computadores
Este manual sistematiza vários conceitos fundamentais relativos a computadores pessoais sem entrar em muitos pormenores técnicos.
Os componentes principais num computador são o processador (CPU), a memória RAM, o armazenamento (SSD ou disco rígido), a placa gráfica (GPU) e a placa principal (motherboard).
Tipos de equipamento
O "computador" já não é só a torre debaixo da secretária. Os formatos actuais:
- Desktop (torre) — o formato clássico: expansível, fácil de reparar e com o melhor desempenho por euro. É onde cabem placas gráficas grandes e refrigeração a sério.
- Portátil — o formato mais vendido: ecrã, teclado e bateria integrados. De 13" ultra-leves a estações de trabalho de 17".
- Mini-PC — caixas pequenas (Intel NUC, Mac Mini e afins) que se escondem atrás do monitor; chegam para quase todo o uso de escritório.
- All-in-one — todo o computador dentro do ecrã (iMac, HP All-in-One): secretária limpa, expansão limitada.
- Tablet — ecrã táctil como única interface; com teclado amovível aproxima-se de um portátil.
- Smartphone — um computador completo no bolso: para muita gente é o único computador que usa no dia a dia.
- Servidor e NAS — máquinas sem ecrã que guardam ficheiros e servem serviços: nuvem caseira, backups, multimédia.
- Consolas, smartwatches e e-readers — computadores especializados: jogos, pulso e leitura.
- Computadores de placa única — o Raspberry Pi e afins são PCs completos do tamanho de um cartão de crédito, para projectos, ensino e automação.











Componentes internos
A memória (RAM)
A memória RAM é onde ficam os programas e dados em uso enquanto o computador está ligado — é volátil, o conteúdo desaparece quando se desliga. Quanto mais memória, mais programas e separadores do browser consegue ter abertos em simultâneo sem lentidão.
Hoje em dia 8 GB é o mínimo razoável, 16 GB é o valor recomendado para uso normal e 32 GB ou mais faz sentido para quem trabalha com máquinas virtuais, edição de vídeo ou grandes conjuntos de dados. Os tipos actuais são DDR4 e DDR5; nos portáteis a memória vem muitas vezes soldada, pelo que convém comprar logo a quantidade certa.
As unidades de medida mantêm-se: byte (8 bits) ≈ um caracter, kilobyte ≈ uma página de texto, megabyte ≈ um livro, gigabyte ≈ uma biblioteca, terabyte ≈ centenas de filmes.

Armazenamento: SSD e disco rígido
O armazenamento guarda a informação de forma permanente. Há três tipos principais:
- HDD (disco rígido mecânico) — barato por gigabyte, lento (~150 MB/s). Ainda se usa para arquivos de grandes volumes.
- SSD SATA — memória flash sem partes móveis, ~550 MB/s. Foi durante anos a melhoria mais notória que se podia fazer num computador.
- SSD NVMe — liga-se por PCIe em ranhuras M.2 e chega a vários gigabytes por segundo. É o armazenamento normal nos computadores actuais.
Um computador com SSD arranca em segundos; com disco mecânico pode demorar minutos. Capacidades habituais: 256 GB a 2 TB. A isto junta-se cada vez mais o armazenamento na nuvem (OneDrive, Google Drive, iCloud), que substitui parte da necessidade de disco local.

Motherboard e chipset
A motherboard liga todos os componentes. Define que processador, memória e placas de expansão se podem usar. Nos portáteis e mini-PCs vem quase tudo integrado — CPU, GPU, Wi-Fi, som — e pouco ou nada se pode expandir. Nos desktops continuam a existir ranhuras PCIe para placas gráficas e outros extras.

Ligações e barramentos
As ligações mais comuns hoje:
- USB-C — a porta universal: dados, vídeo e carregamento (até 100 W ou mais por Power Delivery). Nas versões USB 3.2 / USB4 / Thunderbolt chega a 10–40 Gbps.
- USB-A — o conector clássico, ainda comum em periféricos.
- HDMI / DisplayPort — para ligar monitores e TVs.
- PCIe — o barramento interno para placas gráficas e SSDs NVMe.
- Ethernet — 1 Gbps é o normal; 2.5 Gbps e 10 Gbps existem em máquinas mais avançadas.

Caixa e formatos
Os desktops continuam a existir em formato torre, mas a maior parte das vendas são portáteis. Existem ainda os mini-PCs (caixas pequenas que se escondem atrás do monitor), os all-in-one (tudo dentro do ecrã) e, claro, tablets e smartphones que são computadores completos.
Nos portáteis contam o peso, o tamanho do ecrã e a autonomia da bateria — que hoje pode chegar a um dia inteiro de trabalho.
Periféricos
Os periféricos são o que permite ao computador comunicar connosco: de entrada (teclado, rato), de saída (monitor, impressora, colunas) ou ambos.
Teclado e rato
Pouco mudou em função; mudou a qualidade. Há teclados mecânicos, ergonómicos e sem fios. Os ratos ópticos e laser funcionam sobre quase qualquer superfície. Nos portáteis o trackpad (e o ecrã táctil) substituem muitas vezes o rato.
Ecrãs tácteis, mesas digitalizadoras e canetas
O ecrã táctil tornou-se banal em telemóveis, tablets e muitos portáteis. As mesas digitalizadoras (p.ex. Wacom) e as canetas com sensibilidade à pressão continuam a ser as ferramentas dos designers e ilustradores — e servem também para assinar documentos.
Monitor
A resolução habitual é Full HD (1920×1080); 1440p e 4K são comuns em ecrãs maiores. Painéis IPS dão boas cores, OLED dá negros perfeitos. Para jogos interessam taxas de actualização de 120 Hz ou mais.

Impressora
O modelo mais vendido é a multifunções a jacto de tinta — imprime, digitaliza e copia num só aparelho, normalmente por Wi-Fi. Quem imprime muito texto prefere as laser a preto e branco (mais rápidas e baratas por página); as de tinta com tanques recarregáveis (EcoTank, MegaTank) baixaram muito o custo da impressão a cores.

Comunicação sem fios
Wi-Fi (6/6E/7) é a forma normal de ligação à rede e à internet, com centenas de Mbps reais. Bluetooth liga ratos, teclados, auscultadores e telemóveis. NFC serve para pagamentos e emparelhamentos rápidos. Os infravermelhos desapareceram quase por completo.
Acesso à Internet
A fibra óptica domina o acesso fixo: 100 Mbps a 1 Gbps são tarifários comuns, e a velocidade não depende da distância à central como acontecia em ADSL. Em mobilidade, o 4G dá dezenas de Mbps e o 5G pode chegar a centenas — basta partilhar a ligação do telemóvel para trabalhar em qualquer lado.
O que mais limita a experiência hoje raramente é a largura de banda bruta — é a latência e a qualidade do Wi-Fi dentro de casa.
Placas de rede e router
Todos os computadores trazem Wi-Fi e a maioria traz Ethernet de 1 Gbps. O router do operador faz de concentrador, firewall e ponto de acesso sem fios. Em casas maiores, sistemas "mesh" com vários pontos de acesso dão cobertura uniforme.
Som e imagem
As placas de som vêm integradas na motherboard e chegam perfeitamente para o uso normal; música consume-se hoje sobretudo por streaming (MP3 e formatos modernos) e os auscultadores Bluetooth são mais comuns que colunas no computador.
A webcam tornou-se essencial com o trabalho remoto — 1080p é o mínimo confortável. Máquinas fotográficas dedicadas foram em grande parte substituídas pelo smartphone, que para a maioria das pessoas já fotografa melhor que uma câmara compacta.
Energia
As falhas de corrente continuam a existir. Uma UPS protege desktops e servidores; os portáteis têm bateria e o carregamento faz-se cada vez mais pela porta USB-C, partilhada com telemóveis e tablets.