Introdução aos computadores

Este manual sistematiza vários conceitos fundamentais relativos a computadores pessoais sem entrar em muitos pormenores técnicos.

Os componentes principais num computador são o processador (CPU), a memória RAM, o armazenamento (SSD ou disco rígido), a placa gráfica (GPU) e a placa principal (motherboard).

Tipos de equipamento

O "computador" já não é só a torre debaixo da secretária. Os formatos actuais:

Interior de um PC desktop moderno
Desktop: interior de uma torre actual com placa gráfica dedicada e refrigeração líquida. Foto: Artemio Ramirez Jr., CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons
MacBook Air M1
Portátil: MacBook Air M1 — leve, silencioso, autonomia de um dia. Foto: Thayne Tuason, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons
Mini-PC Intel NUC
Mini-PC: um Intel NUC cabe na palma da mão. Foto: Seán Murray, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons
iMac all-in-one
All-in-one: o iMac integra todo o computador no ecrã. Foto: Apple, CC BY 3.0 / Wikimedia Commons
Samsung Galaxy Tab S8 Ultra
Tablet: o Galaxy Tab S8 Ultra — ecrã táctil de 14,6". Foto: Dylan240, CC0 / Wikimedia Commons
iPhone 15
Smartphone: o iPhone 15 — um computador completo no bolso. Foto: Daniel Romero, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons
NAS Synology com baías de disco
NAS: um Synology com várias baías de disco — a "nuvem" em casa. Foto: Stephen Lam, CC BY 4.0 / Wikimedia Commons
PlayStation 5 e comando DualSense
Consola: a PlayStation 5 — um PC especializado em jogos. Foto: TheTechBox Studios, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons
Apple Watch
Smartwatch: o Apple Watch — o computador mais pequeno do dia a dia. Foto: Maurizio Pesce, CC BY 4.0 / Wikimedia Commons
Kindle Paperwhite
E-reader: o Kindle Paperwhite lê-se como papel, com semanas de bateria. Foto: Zeissenne, domínio público / Wikimedia Commons
Raspberry Pi 4
Raspberry Pi 4 — um PC completo do tamanho de um cartão de crédito. Foto: SparkFun Electronics, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Componentes internos

A memória (RAM)

A memória RAM é onde ficam os programas e dados em uso enquanto o computador está ligado — é volátil, o conteúdo desaparece quando se desliga. Quanto mais memória, mais programas e separadores do browser consegue ter abertos em simultâneo sem lentidão.

Hoje em dia 8 GB é o mínimo razoável, 16 GB é o valor recomendado para uso normal e 32 GB ou mais faz sentido para quem trabalha com máquinas virtuais, edição de vídeo ou grandes conjuntos de dados. Os tipos actuais são DDR4 e DDR5; nos portáteis a memória vem muitas vezes soldada, pelo que convém comprar logo a quantidade certa.

As unidades de medida mantêm-se: byte (8 bits) ≈ um caracter, kilobyte ≈ uma página de texto, megabyte ≈ um livro, gigabyte ≈ uma biblioteca, terabyte ≈ centenas de filmes.

Módulo de memória RAM DDR4
Módulo de memória RAM DDR4. Foto: RAM19FIX, CC BY 4.0 / Wikimedia Commons

Armazenamento: SSD e disco rígido

O armazenamento guarda a informação de forma permanente. Há três tipos principais:

Um computador com SSD arranca em segundos; com disco mecânico pode demorar minutos. Capacidades habituais: 256 GB a 2 TB. A isto junta-se cada vez mais o armazenamento na nuvem (OneDrive, Google Drive, iCloud), que substitui parte da necessidade de disco local.

SSD NVMe no formato M.2
SSD NVMe no formato M.2 — o tamanho de um stick de memória. Foto: Kioxia, CC0 / Wikimedia Commons

Motherboard e chipset

A motherboard liga todos os componentes. Define que processador, memória e placas de expansão se podem usar. Nos portáteis e mini-PCs vem quase tudo integrado — CPU, GPU, Wi-Fi, som — e pouco ou nada se pode expandir. Nos desktops continuam a existir ranhuras PCIe para placas gráficas e outros extras.

Motherboard de desktop
Motherboard de desktop: socket do CPU, ranhuras DDR4 e PCIe. Foto: Panek, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Ligações e barramentos

As ligações mais comuns hoje:

Dois conectores USB-C
Cabos USB-C — hoje servem para dados, vídeo e carregamento. Foto: Smach Jacky, CC BY 4.0 / Wikimedia Commons

Caixa e formatos

Os desktops continuam a existir em formato torre, mas a maior parte das vendas são portáteis. Existem ainda os mini-PCs (caixas pequenas que se escondem atrás do monitor), os all-in-one (tudo dentro do ecrã) e, claro, tablets e smartphones que são computadores completos.

Nos portáteis contam o peso, o tamanho do ecrã e a autonomia da bateria — que hoje pode chegar a um dia inteiro de trabalho.

Periféricos

Os periféricos são o que permite ao computador comunicar connosco: de entrada (teclado, rato), de saída (monitor, impressora, colunas) ou ambos.

Teclado e rato

Pouco mudou em função; mudou a qualidade. Há teclados mecânicos, ergonómicos e sem fios. Os ratos ópticos e laser funcionam sobre quase qualquer superfície. Nos portáteis o trackpad (e o ecrã táctil) substituem muitas vezes o rato.

Ecrãs tácteis, mesas digitalizadoras e canetas

O ecrã táctil tornou-se banal em telemóveis, tablets e muitos portáteis. As mesas digitalizadoras (p.ex. Wacom) e as canetas com sensibilidade à pressão continuam a ser as ferramentas dos designers e ilustradores — e servem também para assinar documentos.

Monitor

A resolução habitual é Full HD (1920×1080); 1440p e 4K são comuns em ecrãs maiores. Painéis IPS dão boas cores, OLED dá negros perfeitos. Para jogos interessam taxas de actualização de 120 Hz ou mais.

Monitor de ecrã plano
Monitor de ecrã plano Full HD (1920×1080). Foto: Petar Milošević, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Impressora

O modelo mais vendido é a multifunções a jacto de tinta — imprime, digitaliza e copia num só aparelho, normalmente por Wi-Fi. Quem imprime muito texto prefere as laser a preto e branco (mais rápidas e baratas por página); as de tinta com tanques recarregáveis (EcoTank, MegaTank) baixaram muito o custo da impressão a cores.

Multifunções Canon PIXMA
Multifunções a jacto de tinta (Canon PIXMA): impressora e scanner de mesa num só aparelho. Foto: Panek, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Comunicação sem fios

Wi-Fi (6/6E/7) é a forma normal de ligação à rede e à internet, com centenas de Mbps reais. Bluetooth liga ratos, teclados, auscultadores e telemóveis. NFC serve para pagamentos e emparelhamentos rápidos. Os infravermelhos desapareceram quase por completo.

Acesso à Internet

A fibra óptica domina o acesso fixo: 100 Mbps a 1 Gbps são tarifários comuns, e a velocidade não depende da distância à central como acontecia em ADSL. Em mobilidade, o 4G dá dezenas de Mbps e o 5G pode chegar a centenas — basta partilhar a ligação do telemóvel para trabalhar em qualquer lado.

O que mais limita a experiência hoje raramente é a largura de banda bruta — é a latência e a qualidade do Wi-Fi dentro de casa.

Placas de rede e router

Todos os computadores trazem Wi-Fi e a maioria traz Ethernet de 1 Gbps. O router do operador faz de concentrador, firewall e ponto de acesso sem fios. Em casas maiores, sistemas "mesh" com vários pontos de acesso dão cobertura uniforme.

Som e imagem

As placas de som vêm integradas na motherboard e chegam perfeitamente para o uso normal; música consume-se hoje sobretudo por streaming (MP3 e formatos modernos) e os auscultadores Bluetooth são mais comuns que colunas no computador.

A webcam tornou-se essencial com o trabalho remoto — 1080p é o mínimo confortável. Máquinas fotográficas dedicadas foram em grande parte substituídas pelo smartphone, que para a maioria das pessoas já fotografa melhor que uma câmara compacta.

Energia

As falhas de corrente continuam a existir. Uma UPS protege desktops e servidores; os portáteis têm bateria e o carregamento faz-se cada vez mais pela porta USB-C, partilhada com telemóveis e tablets.